Só um golinho
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Só um golinho

Só um golinho

15Até que ponto vale a pena beber álcool pela saúde.

As bebidas alcoólicas sempre fazem mal? Com que frequência se pode beber? O vinho realmente faz bem à saúde? A redação da SerVida tinha muitas dúvidas em relação ao álcool. Por isso, conversamos com o médico Durval Ribas Filho, nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e trouxemos uma entrevista bem interessante pra você. Só não vale ir pro bar antes de ler.

 

SerVida: Em que casos as bebidas fazem bem e em que casos fazem mal à saúde?

Dr. Durval Ribas: Não existe uma quantidade considerada segura para o consumo de bebidas alcoólicas. Mesmo em pequenas doses, o álcool vai desencadear alterações no organismo. Claro que há formas de consumo que oferecem menos risco, mas a OMS [Organização Mundial da Saúde] não estabelece limites específicos. Evidências mostram que a situação ideal para a saúde é não consumir nenhuma quantidade de álcool. O álcool está diretamente relacionado com o desenvolvimento de uma série de doenças diferentes, como o câncer, E, quanto mais você bebe, maiores são os riscos de desenvolvê-las.

 

SV: Qual você diria que é a bebida mais afeta o corpo de forma ruim?

DR: O risco associado à saúde no consumo de bebidas alcoólicas nunca é zero. Mas as bebidas destiladas, como a cachaça, rum, tequila, vodca e uísque, são, geralmente, mais fortes e possuem um alto teor alcoólico.

 

SV: Muito se ouve falar que o vinho faz bem ao coração. Isso é verdade? Quanto se recomenda consumir?

DR: Muitas pessoas acreditam que o consumo moderado de vinho protege contra doenças cardiovasculares, mas o fato é que não existe nível seguro do consumo de álcool. Em agosto do ano passado, a revista científica The Lancet publicou um estudo que mostrou que os pequenos benefícios adquiridos com o consumo baixo e moderado de bebidas alcoólicas são superados pelo risco aumentado de outros danos relacionados à saúde, incluindo o câncer.

 

SV: As bebidas alcoólicas podem ajudar em casos de doenças psicológicas?

DR: Na verdade, elas podem piorar os casos de quem sofre com doenças psicológicas já que o consumo causa, geralmente, ansiedade, pode deixar a pessoa agressiva e altera o humor.

 

SV: A cerveja costuma ser um bom diurético. Isso é bom ou ruim?

DR: Ela é, de fato, diurética, mas não faz bem aos rins. Mesmo sendo composta por 95% de água, a bebida tem etanol suficiente para conseguir desidratar o organismo. Ele está presente nos drinks alcoólicos e, em geral, inibe o hormônio antidiurético, provocando um aumento da diurese [produção de urina].  Se não houver uma ingestão adequada de água, isso poderá favorecer uma desidratação subclínica, que é muito leve, mas por outro lado aumenta as chances da pessoa ter ressaca. Com isso, o corpo perde líquido e a concentração de toxinas no sangue aumenta rapidamente. O álcool leva muito tempo para ser metabolizado. A cerveja, assim como as outras bebidas alcoólicas, ajuda a aumentar a pressão do sangue e essa pressão alta não é boa para os rins.

 

SV: O absinto é uma bebida conhecida por conter uma quantidade muito alta de álcool. Quais os efeitos que isso pode gerar no corpo?

DR: Efeito bom, nenhum. O absinto, em especial, é uma bebida que pode ultrapassar os 70% de álcool em sua composição. Essa bebida contém tujona, uma substância psicoativa que é encontrada em várias ervas e vegetais, mas com mais intensidade nas folhas de absinto. Ela altera a percepção sensorial, ativando a região criativa do cérebro. Porém, pode causar também alucinações, hiperatividade, tremores e fraqueza muscular. Mas é importante saber que a quantidade de tujona que sobrevive à destilação é insignificante para causar problemas sérios.

 

SV: A cachaça realmente contém antioxidantes e anticoagulantes? Qual é o efeito do seu consumo no corpo?

DR: Os efeitos são os mesmos das demais bebidas que têm elevado teor alcoólico que afetam, diretamente, o fígado.

 

SV: Qual o limite de álcool que alguém pode consumir em uma semana, por exemplo?

DR: Isso depende muito da pessoa, do seu peso e do seu estilo de vida. Eu diria que, para o sexo masculino, dois copos de vinho, uma latinha de cerveja ou uma dose de 50 ml de destilados seria considerado um limite de baixo risco. Os estudos mostram que uma ingestão de 15 g de álcool por dia pode reduzir a chance de desenvolvimento de doença cardiovascular. Quantidades maiores diárias, dependendo da sensibilidade do organismo afetado, podem aumentar o risco de diferentes tipos de câncer, principalmente os do trato digestório. Para as mulheres, esses valores não valem tanto, já que o metabolismo do álcool nelas é diferente. Quem bebe mais do que isso, mesmo que seja só nos fins de semana, pode desenvolver dependência ao álcool, além das doenças que estão relacionadas.

 

DR: Qual o efeito principal da bebida alcoólica no corpo humano?

DR:Qualquer bebida alcoólica deve ser coibida no seu exagero, pois pode efetivamente causar várias doenças crônicas degenerativas. O excesso é sempre prejudicial para o organismo humano.  O álcool é absorvido rapidamente pelo estômago e duodeno e cai rapidamente na circulação sanguínea. Na primeira passagem pelo fígado, começa a ser parcialmente metabolizado, ou seja, o organismo procura formas para se livrar dele destruindo suas moléculas e expelindo uma pequena quantidade delas pela urina e pelo suor. A duração dos efeitos do álcool no organismo está relacionada ao tempo que o fígado demora a metabolizar o álcool. Em média, o corpo leva uma hora para metabolizar apenas uma lata de cerveja, por isso, se o indivíduo tiver bebido oito latas de cerveja, o álcool estará presente no organismo por, pelo menos, oito horas.

 

DR: As bebidas alcoólicas podem gerar ganho de peso, depressão, perda de memória ou algum outro efeito ruim?

DR: Os efeitos imediatos são fala arrastada, sonolência, vômitos, dor de cabeça, alteração da percepção, entre outras coisas. A longo prazo, o álcool aumenta a pressão arterial, pode causar lesão hepática e cirrose do fígado, níveis mais baixos de ferro e vitamina B, causando anemia, além de alguns tipos de câncer.

 

SV: Tem alguma outra curiosidade sobre bebidas e saúde que é interessante falar?

DR: Os riscos da ingestão de bebidas alcoólicas são diversos, principalmente quando esse costume é feito com frequência e é constante, mas o consumo moderado também pode trazer complicações. Não recomendo a ingestão de bebida alcoólica nas seguintes condições: se estiver grávida ou amamentando; se for dirigir ou trabalhar com uma máquina; se estiver em uso de medicamentos psicotrópicos ou antidepressivos; se for portador de doenças hepáticas renais; se tiver dependência alcoólica ou de drogas ilícitas; se for menor de 18 anos de idade; se tiver história de dependência de álcool ou outras drogas no passado; e se tiver mudanças de comportamento do humor após a ingestão alcoólica.

 

SV: Há alguma diferença em como nosso corpo recebe o álcool se ele é consumido junto com água ou algum alimento?

DR: Sim, o grande problema é que o álcool em excesso desidrata e isso agrava ainda mais a ressaca, por exemplo. O álcool é diurético, ele inibe a ação do hormônio ADH, antidiurético que regula o nível da água na corrente sanguínea. Assim, a bebida alcoólica promove a desidratação. O ideal seria que as pessoas alternassem álcool com água.

 

SV: Quando utilizamos bebidas alcoólicas para cozinhar, elas também fazem mal?

DR: O álcool é volátil, porém, quando misturado à água, a solução evapora em partes iguais. Vai depender do tipo de preparo, se esse alimento será cozido, assado ou flambado, do tempo no fogo ou forno, e, também do tipo de alimento. Um alimento cozido retém cerca de 80% do álcool, enquanto que um flambado chega a uma média de 70%. Depois de alguns minutos no fogo, um cozido ou assado ainda contém 40% de álcool, que vai se perdendo com o passar do tempo em que ele fica no fogo, chegando apenas a 5% depois de algumas horas. Ou seja, o álcool não evapora totalmente, uma parte, mesmo que pequena, ainda permanece nesse prato. É válido prestar atenção, entretanto, a quantidade de bebida alcoólica que será ingerida, se for o caso, junto a essa refeição que já foi feita com uma bebida com álcool.

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