Nutrição além do corpo
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Nutrição além do corpo

Nutrição além do corpo

Como uma boa alimentação pode influenciar na saúde mental.

Segundo a  OMS (Organização Mundial de Saúde) saúde emocional é definida como:

“Saúde emocional é um estado de bem-estar onde o indivíduo realiza suas próprias habilidades, lida com os fatores estressantes normais da vida, trabalha produtivamente e é capaz de contribuir com a sociedade.”

Para ter qualidade de vida é preciso estar com a saúde em dia. Ao falar de saúde não devemos nos restringir apenas em saúde física. O organismo humano é complexo e composto por aspectos físicos, mentais e emocionais.Qualquer pessoa pode estar sujeita a ter complicações, portanto devemos adotar comportamentos preventivos para nos manter saudáveis, tanto no aspecto mental como no emocional e físico. 

Saúde emocional e mental não são a mesma coisa,  mas ambas estão relacionadas. Muitas vezes são os problemas de ordem emocional que causam as complicações mentais. Por isso é muito importante cuidar tanto de uma como de outra.

Em alguns casos é indispensável a interferência de um profissional, mas quando não é este o caso, pode-se evitar que muitos problemas surjam no decorrer da vida. E são atitudes simples que todos nós podemos adotar no dia a dia. Uma dessas atitudes é manter uma boa alimentação. 

A primeira vista pode parecer estranho ligar alimentação com saúde mental. Porém especialistas da área estão descobrindo que a má saúde mental pode ser causada muitas vezes pela falta de certos nutrientes essenciais no nosso corpo. Algumas das doenças mentais associadas à nutrição inadequada incluem depressão, ansiedade, TDAH, transtorno bipolar e esquizofrenia. À medida que surgem cada vez mais informações que apontam para essa conexão, um novo campo na medicina vem sendo criado. Ele se concentra no uso de alimentos e suplementos para resolver e prevenir problemas de saúde mental.

 

Faz sentido que a nutrição desempenhe um papel tão importante na sua saúde mental. Afinal, nosso cérebro está sempre “ligado” e precisa de combustível para fazer seu trabalho. Dar a ele combustíveis em forma de alimentos nutritivos e de boa qualidade é o ideal. Estamos acostumados a relacionar a alimentação com o aspecto biológico, ou seja o alimento que irá fornecer nutrientes e finalizar seu ciclo garantindo as funções vitais para o nosso corpo. Segundo a nutricionista Ana Carolina Mattos alimentação é muito mais que isso “Quando nos permitimos pensar para além, percebemos que à alimentação é mais, alimentação é cultura, estabelece identidade social, está presente nas nossas comemorações, e na relação que fazemos dela na nossa vida, quem nunca lembrou de uma comida pelo seu cheiro, ou pensou: essa comida lembra minha infância, ou até mesmo a relação de convívio social com alguém, como: essa comida é receita de família, gostinho de vó!”. 

Segundo a profissional comer tanto conecta o ser humano ao meio social, como, conecta com nosso próprio interior, nos permite escolhas, nos conecta com as ideias e concepções pessoais que envolvem à alimentação no mundo da vida. A saúde mental é relacional, a partir do momento que o ato de se alimentar e suas ligações sociais estão diretamente relacionadas com o modo como me identifico no mundo, com o modo como consigo me organizar frente a ele. São muitos os caminhos para se chegar a uma alimentação, desde escolhas, a saberes e acessos. 

“Trazer à alimentação como ponto de discussão na saúde mental é fundamental, ela faz parte da construção do ser e a saúde mental precisa interagir com todos os processos da vida, na medida do que me afeta ou o que possa me afetar, incluindo a alimentação.” diz Mattos. 

Ana Carolina é especializada em saúde mental. Em sua residência atuou em um centro de atenção psicossocial (CAPS) onde lidou com diversos públicos: Adultos, crianças, adolescentes, pessoas fragilizadas, dependentes de álcool e drogas, indivíduos em situação de rua. Por conta disso teve que pensar na alimentação em todos esses contextos.

No CAPS ela desenvolveu um projeto de horta comunitária, que funcionou como um consultório ao ar livre.  “Posso dizer que a horta foi o elo entre a nutrição e a saúde mental na minha experiência. Porque uma nutricionista  pensaria em fazer uma horta? Para falar de alimentos saudáveis, incentivar alimentação in natura, para realizar educação alimentar e nutricional, enfim, no meu caso a horta foi um espaço para falar da vida, dos processos, serviu para interação, sociabilidade, autonomia, protagonismo, para uma terapêutica das circunstâncias.” conta. 

A nutricionista ainda explica que o projeto da horta comunitária auxiliou no tratamento dos pacientes pois eles atuaram como protagonistas de todo o processo. Todos os participantes se responsabilizaram  pela horta e agiam com autonomia nas decisões. Além disso o projeto permitiu não somente que os pacientes pensassem na sua relação com a alimentação como também à relacionaram com seu contexto de vida. Segundo Ana a horta teve o movimento de empoderar os participantes para que pudessem perceber a alimentação no seu contexto de vida, associando o que os afeta diretamente em relação a saúde mental e pensar criticamente essa relação, possibilitando meios de reconfigurar fraquezas e potencializar certezas. 

Ana também ressalta a importância de um acompanhamento multiprofissional no cuidado de pessoas com a saúde mental fragilizada. “O profissional nutricionista normalmente não compõem as equipes multiprofissionais nesses serviços, o que torna um limitador a atenção que envolve alimentação e saúde mental.” diz. Para ela  os indivíduos que consultam diretamente um núcleo profissional não precisam dividir suas questões de saúde mental em eixos de profissionais, fazendo com que suas demandas no cuidado em saúde mental se tornam responsabilidade de uma equipe inteira. Esse acompanhamento é integral, universal e na perspectiva da equidade. Além de ser feito com a constante participação dos sujeitos em acompanhamento, de modo que eles detém autonomia para gerenciar seu próprio tratamento.

Não se alimentar de forma correta, com os alimentos certos o seu sistema nervoso ele pode não funcionar corretamente. Para a nutricionista Catherine Naghetini uma alimentação apropriada evita inflamações cerebrais, o que pode acarretar em outras complicações como o Alzheimer. “Na nossa rotina de trabalho e estudos sempre existe muito stress. Quando você faz uma boa ingestão de frutas, verduras e gorduras boas como ômega 3 existe um menor risco de doenças como a depressão.” explica.

Segundo Naghettine uma alimentação saudável se dá por meio das escolhas que você faz no seu dia a dia. Para ela é preciso equilibrar as composições alimentares, procurando comer sempre legumes, verduras, grãos e  carnes. Não pular as refeições também é importante. É recomendável evitar alimentos industrializados, porém não é necessário cortar esse tipo de alimento. 

Ana concorda, para ela a alimentação saudável não é apenas um princípio de qualidade de vida. Quando se mantém uma cobrança extrapolada, também pode haver riscos a saúde mental. “A ideia de parcimônia! Não tem problema compartilharam uma pizza de vez enquanto, ela também pode ser saudável se pensar pelo benefício da sociabilidade que ela irá trazer, comemorar algo, cozinhar para alguém, dividir um momento também é saudável.” diz. 

 

Catherine também frisa que o cuidado com a saúde mental vai muito além da alimentação. O consumo de água é muito importante. Descansar também é essencial para o cérebro, dormir bem é muito importante pois o sono regula o funcionamento cerebral. “ É muito importante falar além da alimentação, do consumo de água e do sono praticar exercícios. A  pessoa precisa sair de uma vida sedentária para manter a saúde do cérebro. Movimentando o corpo liberamos endorfina, que gera um estado de ânimo muito saudável para o corpo e auxilia na nossa saúde mental.” ressalta. 

Já para Ana a prevenção e equilíbrio são a chave para qualquer problema de saúde. Segundo ela é preciso ponderar as escolhas. “Atualmente vivemos uma era em que a alimentação é diversas vezes o foco, ligth, fit, zero, praticidade, conveniência, menos sal, menos açúcar, mais fibras. É preciso menos cobrança, a saúde mental agradece. Nunca diga nunca é o ditado, de nada adianta ter um corpo considerado perfeito e não ser feliz, é óbvio que chutar o balde todos os dias não está no desenho, mas relevar para curtir um momento é saudável também!” 

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