Cérebro e Alimentação  
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Cérebro e Alimentação  

Cérebro e Alimentação  

Qual a ligação?

O cérebro é órgão mais exigente do corpo, pelo menos do ponto de vista energético. Embora o cérebro humano adulto médio pese cerca de 1,4 kg, apenas 2% do peso corporal total, ele exige 20% da nossa taxa metabólica de repouso (a quantidade total de energia que nossos corpos gastam em um dia bem ocioso).

Se assumirmos uma taxa metabólica média de repouso de 1.300 calorias, então o cérebro consumiria 260 dessas calorias apenas para manter as coisas em ordem. São 10,8 calorias a cada hora ou 0,18 calorias por minuto.[1]

O “combustível” utilizado pelo cérebro é a glicose. Segundo Ramón de Cangas, da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética, ele consome 5,6 miligramas de glicose por cada 100 gramas de tecido cerebral por minuto. Isso pode parecer um contra senso tendo em vista que as principais entidades nacionais e internacionais de saúde, como é o caso da OMS, têm recomendado que diminuamos a quantidade de açúcar livre na dieta para valores inferiores a 10-5%.[2]

A explicação é que não precisaríamos de açúcar livre, ou seja, adicionar açúcar à dieta. Os alimentos naturalmente já possuem glicose em suas constituições. Por exemplo, a frutose da maçã pode ser digerida e a glicose resultante ajudaria a atender às demandas energéticas cerebrais. Por outro lado, o excesso de açúcar tem sido um grande vilão. Basta ver que o diabetes é fator de risco para uma série de doenças neurológicas, como o AVC e algumas demências.

Quando o assunto é alimentação e cérebro, há outros fatores a considerar. O excesso de sal pode predispor o surgimento da hipertensão arterial. Esta, por sua vez, pode comprometer as pequenas artérias que irrigam o cérebro, culminando em um sistema cerebrovascular insuficiente. Além dos já citados AVCs, aneurismas podem se formar. Em linhas gerais, a alimentação ruim pode gerar um ciclo vicioso de consumo de junk food para o cérebro que pode ser difícil de abandonar.[3]

No outro lado da moeda, encontramos alguns alimentos que os neurocientistas têm colocado como “amigos” do cérebro. Muitos deles possuem compostos capazes de combater a neurotoxicidade e o envelhecimento precoce dos neurônios. Outros possuem vitaminas e gorduras protetoras dos vasos sanguíneos, dos próprios neurônios, e da comunicação entre eles. Os principais alimentos que carregam essas propriedades são as folhas verdes, como a couve e o espinafre, pescados, como o salmão, abacates, blueberries, linhaça, morangos, cacau, nozes, ovos, castanhas, azeite de oliva extra-virgem, sementes de abóbora e, surpreendentemente, até o café.[4][5]

A verdade é que a neurociência avança de forma rápida para entender uma nutrição funcional específica para o sistema nervoso. Uma dica consensual é evitar gorduras saturadas e os alimentos processados. Alimente-se com variedades, hidrate-se regularmente (lembre-se que aproximadamente 75% do cérebro é água), tenha boas noites sonos e pratique exercícios físicos. Manter o cérebro sadio é uma questão de bons hábitos.[6]

 

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Leonardo Faria

Médico neurocirurgião.

Idealizador e CEO do Meu Cérebro.

 

Referências:

[1] Jabr, F. Does Thinking Really Hard Burn More Calories? Scientific American, Neuroscience, article published on July 18, 2012.

[2] Associação Brasileira de Nutrição.

[3] Rihm, J. et al. (2018). Sleep deprivation selectively up-regulates an amygdala-hypothalamic circuit involved in food reward. The Journal of Neuroscience.

[4] Harvard Health Publishing, Harvard Medical School, Foods linked to better brainpower.

[5] Li, M. & Shi, Z. A Prospective Association of Nut Consumption with Cognitive Function in Chinese Adults Aged 55+ _ China Health and Nutrition Survey. J Nutr Health Aging (2019) 23: 211.

[6] Global Council on Brain Health (2018). “Brain-Food GCBH Recommendations on Nourishing Your Brain Health”.

 

*As informações dispostas neste texto são de total responsabilidade do colaborador.

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