Alimentação & Câncer
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Alimentação & Câncer

Alimentação & Câncer

Até onde a alimentação é um fator a ser considerado no avanço ou melhora na doença


Os alimentos são auxiliares na prevenção contra o câncer, mas precisamos fugir das ideias mágicas de cura, especialmente quando abordamos uma doença tão séria e devastadora.

A complexidade da dieta mostra-se um desafio quando analisamos sua relação com o câncer, pois nela estão presentes literalmente milhares de substâncias químicas, algumas delas bem conhecidas, outras nem tanto.

Assim como existe relação entre a dieta e a prevenção do câncer, também existe entre a má alimentação e o aparecimento da doença, como apresentado na tabela abaixo.

Apesar disso, é importante ressaltar que a legislação vigente no país não permite associar um determinado alimento à cura ou prevenção de doenças.

 

Conhecendo alimentos potencialmente úteis

Nenhum alimento ou ingrediente alimentar pode proteger contra o câncer por si só. Contudo, os cientistas acreditam que a combinação em uma dieta predominantemente baseada em vegetais pode auxiliar.

Existem evidências de que os minerais, vitaminas e fitoquímicos presentes nos vegetais têm ação protetora contra o envelhecimento e o câncer. Além disso, legumes, frutas, grãos integrais e leguminosas são de baixa densidade calórica e evitam o ganho de peso que, após o fumo, é o maior fator preditivo para o surgimento da doença. Por esse motivo recomenda-se que pelo menos dois terços do prato seja preenchido com esses alimentos.

 

Evitando a desnutrição causada pelo câncer

Muitos pacientes com câncer emagrecem muito e sofrem com quadros de desnutrição. Essa condição que é causada por uma combinação de fatores: menor ingestão alimentar, metabolismo anormal, depressão, aversão aos alimentos pós-quimioterapia, alterações no paladar pós-quimioterapia e radioterapia, entre outros.

A desnutrição é um fator de risco extra para o câncer, uma vez que piora as chances de sobrevivência, bem como a resposta à quimioterapia. Além disso, essa perda de peso também aumenta o risco de complicações e infecções.

Cerca de 60% dos pacientes com câncer são desnutridos e esse percentual sobe para 81% naqueles que estão em cuidados paliativos (que reforçam a qualidade de vida do paciente).

A Terapia Nutricional depende do paciente, do seu apetite, do tipo de câncer, do estágio da doença e da resposta ao tratamento, mas pode atenuar casos de desnutrição. Apesar da dificuldade, amenizar o quadro pode retardar a progressão da doença. Pacientes idosos, por exemplo, quando acompanhados nutricionalmente costumam apresentar um melhor resultado clínico, além de redução de infecções e do tempo de internação hospitalar.

 

Derrubando mitos

  • A dieta “alimenta” o tumor? Não existem dados confiáveis que mostrem qualquer efeito da nutrição no crescimento do tumor.
  • Vitaminas: Recomenda-se que as vitaminas e minerais sejam oferecidos em quantidades padrão, sendo desencorajado o uso de altas doses na ausência de deficiências específicas.
  • Dietas anticâncer: As dietas que restringem a ingestão de calorias não são recomendadas para pacientes desnutridos ou em risco nutricional.
  • Suplementos nutricionais: A suplementação é indicada para pacientes que estão aptos a se alimentar, mas estão desnutridos ou em risco nutricional, pois aumentam a ingestão oral de nutrientes.
  • Nutrição enteral e parenteral: A nutrição enteral (por sonda) é recomendada no caso de o paciente apresentar nutrição oral inadequada. Já a nutrição parenteral (pela veia), é recomendada no caso da insuficiência ou impossibilidade da enteral.
  • Dietas com imunonutrientes: As dietas imunomoduladoras, como são chamadas, enriquecidas com arginina, nucleotídeos e ômega-3 apresentam benefícios em pacientes submetidos à cirurgias de grande porte no trato digestório ou cabeça e pescoço.
  • Androgênios (anabolizantes) e medicamentos para aumentar o apetite: Não existem dados suficientes para recomendar o uso.
  • Ácido ômega 3: É sugerido o uso de suplementos com ácidos graxos ômega-3 ou óleo de peixe para pacientes com câncer em tratamento quimioterápico e com risco de perda de peso, a fim de estabilizar e melhorar o apetite, a ingestão de alimentos, a massa magra e o peso corporal.
  • Antioxidantes: O uso de suplementos antioxidantes é desencorajado para pacientes com câncer, principalmente fumantes, alcoólatras ou em tratamento quimioterápico e radioterápico. Porém, a ingestão dessa substância por meio do consumo de frutas e vegetais é benéfico.
  • Carne vermelha: A ingestão deve ser limitada a 500g por semana para pacientes adultos. Não há recomendações estabelecidas para crianças e adolescentes, porém é sugerido o consumo de 3 porções por semana. A preferência deve ser feita por carnes com quantidade mínima de gordura.

 

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Me. Cláudio L. Barbosa

Médico nutrólogo e acupunturista (AMB/CFM)

Pesquisador e Mestre pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

Médico nutrólogo do Hospital Santa Genoveva | Uberlândia, MG

Docente da Pós-graduação em Nutrologia da associação Brasileira de Nutrologia Médica

 

*As informações dispostas neste texto são de total responsabilidade do colaborador.

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